Dr.Milton Peruzzo | Tratamento Clínico da Calvície
TRATAMENTO CLÍNICO DA CALVÍCIE
Normalmente digo aos pacientes preocupados com a perda dos cabelos que existem 4 caminhos a serem considerados. Pode-se optar por tentar tratamentos clínicos, não se fazer nada, usar uma peruca ou partir para cirurgia. Sem tratamento a alopécia androgenética (AAG) é progressiva. O uso de perucas, entrelaçamentos ou qualquer outro método de cobrir a calvície apresenta além das desvantagens estéticas evidentes o risco de desenvolvimento de micoses do couro cabeludo, mau cheiro, ajustes freqüentes e várias outras complicações como cicatrizes no couro cabeludo e arrancamento de fios que porventura você ainda tenha. Vários tratamentos clínicos foram propostos desde os primórdios da história do homem. Desde a aplicação de cinzas, óleos dos mais diversos tipos, ervas até injeções de vitaminas, choques elétricos, massagens, laser, etc. Poderia escrever livros apenas com as curiosidades a respeito dessas tentativas de tratamentos para calvície. A base do tratamento médico sério é a redução do DHT e a proteção dos receptores androgenético contra a sua ação. Normalmente os benefícios obtidos são na redução da velocidade de instalação da AAG e sempre após 6 a 8 meses de uso contínuo. Não existe um tratamento pontual, a curto prazo. O paciente precisa compreender que o tratamento deve ser contínuo entre os 16 e 50 anos de idade, pois é neste período em que este processo de miniaturização ocorre sendo que as agressões entre 25 3 35 anos são as mais fortes.
Finasterida
A Finasterida é um potente inibidor de uma enzima chamada de 5 Alfa Redutase tipo 2, que foi aprovada pelo FDA para tratamento de alopécia androgenética em 1997 com o nome comercial de Propecia® pela MSD. Atua bloqueando a conversão da testosterona em DHT. Numa primeira fase do estudo 933 homens com idades de 18 a 41 anos com calvícies suaves ou moderadas foram divididos em grupos que receberam, de forma aleatória, 1 mg de finasterida por dia ou placebo (comprimidos sem medicação) durante 1 ano. Fotografias padronizadas tiradas depois de 1 ano mostraram que em 1% dos homens avaliados a perda dos cabelos progrediu. Em 51% houve estabilização sem aumento da calvície. Em 48% houve reversão do processo de miniaturização com aumento da densidade dos fios de cabelo. Esta mesma análise foi feita depois de 2 anos aonde 66% demonstraram melhoria no volume e na quantidade dos cabelos e 88% demonstraram estabilização no processo que vinha evoluindo até então. A resposta a finasterida pode ser observada após 6 a 8 meses de tratamento com 1 mg por dia, porém os pacientes devem ser encorajados a tomarem a medicação por pelo menos 2 anos para melhor análise do resultado. A incidência de efeitos colaterais foi semelhante no grupo de estudo que tomou placebo, sendo que o mais importante é a diminuição da libido ou disfunção de ereção que aconteceu em 1,8% dos homens que tomou finasterida contra 1,3% do grupo do placebo. É muito importante antes de se iniciar este tratamento uma avaliação médica com análise dos hormônios e da função hepática, pois o fígado é o local onde a finasterida é metabolizada e pode sofrer lesões em pacientes com lesões prévias (p.ex. hepatite ou cirrose). As pesquisas mais recentes mostram que em médio prazo teremos uma nova geração de finasterida como o episteride, o Dutasteride, mk-963, mk-434m e nj-386. Tenho recomendado o uso da finasterida via oral para pacientes em fase inicial da alopécia androgenética com a finalidade de reduzir a velocidade da queda de cabelos, assim como reverter o processo de miniaturização, porém deixo sempre claro que nas áreas onde já se instalou a calvície ainda não existe nenhum procedimento além das cirurgias para o aparecimento de novos fios de cabelos. Tem sido freqüente a associação deste tratamento clínico com as megasessões de transplantes de unidades foliculares para se conseguir volumes maiores e mais permanentes de cabelos além de atuar diminuindo a chamada fibrose perifolicular que pode também atuar de forma negativa no crescimento dos fios de cabelos. Na Europa a bula do Propecia® foi modificada, aumentando o índice dos efeitos colaterais e chama a atenção um trabalho britânico para aumento de risco de câncer de mama nos homens. Outros efeitos incluídos envolvem o sistema nervoso central com importantes relações com funções fisiológicas que podem afetar o humor, ritmo, estresse, sono, memória, ansiedade, provocar depressão e diminuir a libido. Portanto, como em qualquer tratamento: NUNCA SE AUTOMEDICAR.Apenas seu médico tem condição de avaliar o custo/benefício deste tratamento e pedir os exames necessários durante seu tratamento para evitar qualquer complicação futura.
17 alfa estradiol
Em 2003 foi lançado no mercado brasileiro o uso tópico do 17 alfa estradiol que diminui a ação do DHT nos folículos pilosos.A associação deste tratamento tópico ao finasterida pode complementar a proteção dos folículos pilosos contra a ação do DHT.Por se tratar de produto comercial é fácil de ser adquirido pelos pacientes mas sua efetivada é menor quando comparada a outros ativos mais potentes.
Shampoo de Cetoconazol a 2%
O cetoconazol é um antifúngico que usado topicamente no couro cabeludo apresenta como vantagens a diminuição da população de fungos no couro cabeludo, redução do excesso de oleosidade (o sebo é rico em DHT) e alguns estudos mostram que ele também promove uma inibição local dos níveis de DHT. Recomendo seu uso 2 a 4 x por semana a todos os meus pacientes.
GEL FF (Flutamida associada com finasterida)
Conseguimos aqui a associação da flutamida (um potente antiandrogênico que atua na testosterona livre do escalpo) e do finasterida em ação direta no escalpo com inibição da produção de DHT. O mais importante neste produto foi a incorporação dos ativos a um gel transdérmico (e não uma loção) que permite a atuação dos mesmos apenas no couro cabeludo sem absorção sistêmica e com excelente e rápida penetração através da epiderme e derme apenas.
Minoxidil 5%
Alguns pacientes hipertensos tratados com minoxidil via oral, apresentavam como efeito colateral o crescimento dos pelos do corpo, o que levou pesquisadores a crer que o uso tópico do produto poderia fazer crescer cabelos. Inicialmente a dose preconizada foi de 2% e deveria se fazer massagens no couro cabeludo 2 x por dia de forma ininterrupta sob pena de qualquer benefício ser perdido com a interrupção do tratamento. Após anos de experimentações chegou-se a um consenso de que menos de 15% dos homens tratados com minoxidil a 2% tiveram discretos benefícios com aumento dos pelos do couro cabeludo, sem melhoras aparentes da estética do cabelo. Atualmente utilizamos minoxidil a 5% porém não se acredita que seu uso isolado promova grandes benefícios na AAG. Lembre-se que a causa da alopécia androgenética está na associação do gene da calvície com o DHT e o minox não atua nestas causas.
Suplementos via oral
O fio de cabelo nada mais é do que uma haste composta por queratina. Algun(ma)s pacientes apresentam baixa produção de queratina por anemia,insuficiência de aminoácidos,vitaminas e sais minerais.O uso de suplementos específicos prontos ou manipulados pode ser útil nestas situações assim como promover o crescimento de fios mais vigorosos e de forma mais rápida na AAG.Usamos fórmulas manipuladas de Pill food,Hairgrow e outros de acordo com cada situação. Seu uso isolado é ineficaz para a AAG.
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