Dr.Milton Peruzzo | Mudanças no Fórum
Contagens de esperma têm decaído entre os homens ocidentais, cientistas confirmam
(31/07/2017 )
Eu sempre peço a todos os pacientes que vão iniciar o uso de finasterida para o tratamento da calvície façam um espermograma. Não pelo risco da finasterida causar problemas de infertilidade, mas como ela pode diminuir o volume do sêmen, muitos ficam preocupados após meses ou anos de uso e fazem o espermograma, descobrindo que tem baixa contagem de espermatozóides. Se este paciente não faz um exame prévio, como ele saberá se foi a finasterida a causadora ou se ele já apresentava esse problema antes de seu uso?? Hoje são muitos os fatores que tem contribuído para essa diminuição de espermatozóides mas nos blogs e foruns mundiais a culpa ( para os pacientes e alguns médicos) é sempre da finasterida e isso na imensa maioria das vezes NÃO é verdade. É normal que usuários da finasterida percebam um menos volume do LÍQUIDO seminal,mas isso não significa diminuiçãona contagem de espermatozoides ou infertilidade. Leiam o ótimo texto que tem como fonte o site GIZMODO. Dr. Milton Peruzzo Por: George Dvorsky Algo estranho está acontecendo com a produção de esperma humano. Durante décadas, os cientistas alertaram que as contagens de esperma vinham caindo entre os homens ocidentais, mas ninguém realmente conseguiu provar isso. No que é agora o maior e mais abrangente estudo de seu tipo, cientistas apresentaram provas convincentes em apoio a essa constatação bastante alarmante, mostrando que a contagem de esperma caiu mais de 50% em apenas quatro décadas. “Dada a importância da contagem de espermatozoides para a fertilidade masculina e a saúde humana, este estudo é um alerta urgente para pesquisadores e autoridades de saúde…” O declínio da contagem de esperma é real e não mostra sinais de desaceleração, de acordo com uma nova pesquisa publicada na Human Reproduction Update. Ao realizar uma meta-análise de 185 estudos publicados entre 1973 e 2011, pesquisadores da Escola Braun de Saúde Pública e Medicina Comunitária da Universidade Hebraica Hadassah e da Faculdade de Medicina de Icahn, no Monte Sinai, documentaram um declínio de 52,4% na concentração de esperma e um declínio de 59,3% na contagem total de espermatozoides entre os homens que vivem na América do Norte, Europa, Austrália e Nova Zelândia. As mesmas quedas não foram observadas entre homens que vivem na América do Sul, Ásia e África, onde foram realizados menos estudos. Tanto a contagem total de esperma quanto a concentração de esperma (o número total de espermatozoides em um determinado volume) são boas medidas da capacidade reprodutiva masculina. Os homens utilizados nesses estudos não foram escolhidos por causa de problemas de fertilidade suspeitos. De forma alarmante, a taxa de queda não parece estar parando; a inclinação descendente foi “íngreme e significativa”, mesmo quando a meta-análise foi restrita a estudos realizados após 1995. Imagem: Levine et al., 2017 “Dada a importância da contagem de espermatozoides para a fertilidade masculina e a saúde humana, esse estudo é um alerta urgente para pesquisadores e autoridades de saúde em todo o mundo para investigar as causas da forte e contínua queda na contagem de esperma, com o objetivo de prevenir “, disse o autor principal do estudo, Hagai Levine, em um comunicado. As baixas contagens de esperma são muitas vezes um indicador de outros problemas de saúde e são frequentemente usadas pelos médicos para prever a saúde e a morbidade. Pensa-se que o esperma reduzido pode ser resultado de influências ambientais, incluindo exposição a produtos químicos nocivos no útero, exposição a pesticidas e fatores de estilo de vida, como tabagismo, obesidade e estresse. Não surpreendentemente, as baixas contagens de esperma também estão associadas à redução da fertilidade. Os cientistas começaram a notar que algo estava errado com as contagens de esperma humano em 1992, mas a questão permaneceu controversa devido à pesquisa pouco convincente. “Estudos anteriores usaram tamanhos de amostra menores, enquanto nosso estudo foi três vezes maior que [o feito] em 1992″, explicaram Levine e sua coautora Shanna H. Swan, em um email para o Gizmodo. “Isso nos permitiu medir e avaliar de forma confiável tendências em subgrupos.” Outros problemas com a pesquisa anterior incluíam critérios de triagem pobres ou insuficientes, falta de controle de qualidade e métodos estatísticos limitados, todos os quais foram resolvidos no novo estudo, de acordo com os pesquisadores. “Desenvolvemos um protocolo muito detalhado, todos os nossos estudos selecionados foram examinados por dois pesquisadores de forma independente, tivemos um processo rigoroso de controle de qualidade e usamos métodos de meta-regressão de última geração não disponíveis em 1992″, disseram Levine e Swan. Para a nova análise, os pesquisadores revisaram o conjunto de pesquisa existente para avaliar a confiabilidade das estimativas do estudo e controles para fatores que poderiam explicar o declínio, como idade, tempo de abstinência e seleção da população estudada. Ao fazê-lo, os pesquisadores conseguiram confirmar o que já haviam suspeitado há algum tempo. “A diminuição da contagem de esperma tem sido uma grande preocupação desde que foi relatada há 25 anos. Esse estudo definitivo mostra, pela primeira vez, que esse declínio é forte e contínuo “, disse Swan. “O fato de que o declínio é visto nos países ocidentais sugere fortemente que os produtos químicos no comércio estão desempenhando um papel causal nessa tendência.” Mas essa última parte é apenas uma especulação. Os cientistas realmente não sabem o que está causando a crise da contagem de esperma, porém, esse estudo sugere que o estilo de vida ocidental pode ter algo a ver com isso. Levine e Swan recomendam que análises futuras tenham uma abordagem semelhante à sua e investigue partes do mundo não cobertas por essa análise mais recente. “Os estudos também devem considerar fatores ambientais e de estilo de vida (como exposição química, estresse e tabagismo) e qualidade do sêmen”, disseram Levine e Swan ao Gizmodo. “Investimentos também devem ser feitos no estudo da reprodução masculina.” Estamos caminhando em direção a um mundo de Handmaid’s Tale de baixa fertilidade? Provavelmente não, mas a nova pesquisa é alarmante. E, de fato, o impacto das baixas contagens de esperma na fertilidade masculina deve ser grande fonte de preocupação. Os pesquisadores dizem que os declínios relatados na produção de esperma se manifestaram na população em geral e que “mais casais são inférteis”, acrescentando que, “do ponto de vista estatístico, um declínio tão grande deve implicar [uma] proporção maior de homens inférteis e subférteis”. Não estamos perto de uma crise de fertilidade no momento, então temores de entrarmos no mundo de Handmaid’s Tale são exageros. Claro, os dados mostram uma tendência decrescente, mas isso não garante que ela continue no futuro. Por tudo o que sabemos, atingimos (ou em breve atingiremos) um limite em termos de baixa contagem de esperma. Mas isso ainda não foi provado, e essa pesquisa é reconhecidamente assustadora. E para o crescente número de casais que não podem conceber, isso já é um problema sério. [Human Reproduction Update]
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